Memória como um direito: mecanismo de cura e cuidado imprimir publicado em: 15 / 11 / 2019

A forma de contar uma história pode repercutir de inúmeras formas na vida dos sujeitos-alvos das narrativas. Na visão da psicóloga e psicanalista, Joice Silva dos Santos, a memória do povo negro foi usada, ao longo dos anos, como símbolo para uma trajetória de servidão e massacre. E para encerrar o racismo é também preciso que se findem essas narrativas únicas.

“Crescemos acreditando, pessoas brancas e pessoas pretas, que os negros nasceram para a servidão, que nossa história no Brasil começou nos navios negreiros, mas nós não viemos, não brotamos de navios. O acesso à memória vai ser um dos mecanismos de cura e cuidado de uma sociedade racista e colonizada para com o povo negro”, destaca.

Joice afirma que, para isso, é necessária uma atuação em várias frentes. “Precisamos de um movimento social, de um reconhecimento do governo que, de fato, no Brasil existe racismo e que ele possa ser abordado como uma tecnologia de sofrimento e dominação. Para, assim, criarmos técnicas que possam mudar isso. Intervir de maneira focal, mas produzir movimentos macros e micros, que sejam capazes de acionar uma memória que a gente não teve direito”, reafirma.

Na visão da psicóloga e psicanalista Joice dos Santos, a memória do povo negro foi usada como símbolo de servidão e massacre (Foto: Elias Fontinele/ODIA)

É nesta perspectiva que a educação contribui de uma forma tão direta para situar as novas gerações com o contato da história para além das narrativas do negro, ligado apenas à opressão e à violência. Ao subverter esses pensamentos, subverte-se, também, a produção de sofrimentos causados pelo racismo.

“Precisamos de representação para que a gente possa produzir, de fato, a ocupação real dos espaços de poder. Para que eu consiga me ver de outras maneiras, porque eu crio uma sociedade extremamente racista em que pessoas negras só aparecem na TV enquanto domésticas, empregadas, prostitutas, criminosos, eu estou dizendo para pessoas pretas que é esse o destino delas e estou dizendo para pessoas brancas que é dessa maneira que elas devem nos enxergar. E não vamos aceitar mais isso”, finaliza.

Por: Glenda Uchôa – Jornal O Dia

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