Parque Solar ocupa 545 hectares e emprega 400 piauienses imprimir publicado em: 19 / 10 / 2019

É como se o solo vermelho do semiárido do Piauí ficasse azul. Estão sendo instalados painéis solares policristalinos, ocupando uma área de 548 hectares do Complexo Solar Fotovoltaico, e cujos investimentos são da empresa Celeo Redes Brasil.

O projeto está sendo construído no município de São João do Piauí (467 km de Teresina), potência instalada de 223 MWp (Megawatts-pico), estimativa de produção de energia de 490.000 MWh/ano (Megawatts-hora-ano), ou seja, equivalente ao consumo médio anual para atendimento de energia elétrica de uma cidade com 240 mil residências.

A Celeo Redes Brasil está comprometida com a Sustentabilidade e seus investimentos visam aumentar a participação das energias renováveis na Matriz Elétrica Brasileira, colaborando para evitar a emissão de gases de efeito estufa. Jorge Nicolas, gerente de Projetos – Elecnor do Brasil, empresa responsável pela construção do Complexo Fotovoltaico, disse que o projeto ainda está em fase de implantação. José Lopes Nogueira Júnior, técnico de Segurança do Trabalho – Elecnor do Brasil, afirmou que o Complexo Fotovoltaico possui uma Subestação Coletora Elevatória de 34,5kV para 500kV, a qual permite a interligação com a Subestação de São João do Piauí, essa última pertence à Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF), através de uma linha de transmissão de energia com 17 quilômetros de extensão.

Marcelo Vinicius, diretor de Novos Negócios e Sustentabilidade, informou que a Celeo Redes vinha prospectando a implantação de seu Complexo Solar Fotovoltaico em alguns estados do Nordeste, desde 2014, e recebeu apoio muito grande do Governo do Estado para se implantar no Piauí.

“Temos honrado o compromisso com o Governo do Estado de gerar empregos e renda no Piauí, através deste investimento”, falou Marcelo Vinicius. Ele estima que, a partir do dia 1º de maio de 2020, a usina já estará em operação comercial, com sua capacidade plena de produção de energia.

O Complexo Solar Fotovoltaico da Celeo Redes possui mais de 656 mil painéis fotovoltaicos. A empresa investiu R$ 747 milhões e está empregando 550 colaboradores para a construção deste projeto. Marcelo Vinicius salientou que a Celeo Redes Brasil escolheu o Piauí para implantar seu Complexo Solar Fotovoltaico porque, dentre os estados do Nordeste, este Estado é privilegiado com um ótimo recurso solar.

“Estivemos estudando a pré-viabilidade desta obra em alguns Estados no Nordeste, porém o Piauí foi escolhido pelos altos níveis de radiação solar e pela capacidade de escoamento de energia a partir de uma importante subestação da rede básica que está próxima ao empreendimento. Além destes 2 fatores, o apoio do Governo do Estado, bem como da Prefeitura de São João do Piauí foram cruciais para o sucesso na contratação deste complexo, ocorrida em Abril/2018, através do Leilão A-4/2018”, informou Marcelo Vinicius.

Sendo o primeiro projeto da Celeo Redes no setor de geração de energia no Brasil, o mesmo foi desenvolvido internamente com equipe altamente qualificada, pois trata-se de uma implantação simultânea de 6 usinas fotovoltaicas. Essa obra teve início em Outubro de 2018, com a supressão de vegetação e resgate da fauna, os quais respeitaram os critérios ambientais do órgão estadual de licenciamento para proteção da biodiversidade.

Celeo Redes estima que a conclusão das obras ocorra até o final de 2019; posteriormente, o complexo estará sob operação em testes e finalmente com entrada em operação comercial prevista ao longo do 2º trimestre 2020. Jorge Nicolas, que trabalhou na África do Sul, no Chile, na Itália, Peru, na Califórnia (EUA) e Espanha, conta que a grande vantagem do Piauí para a produção de energia solar é que no Estado existem poucas nuvens e muita insolação, além de uma mão de obra adaptada ao trabalho em alta temperatura, o que aumenta a produção.

“O Piauí tem 4 a 5 meses com fortes precipitações ao ano e chove um dia e o céu fica limpo novamente e demora 2 a 3 semanas para ter uma nova chuva. Tem muita água em pouco tempo. O Estado do Piauí, o Peru e o Deserto de Atacama (no Chile) têm em comum muito sol, mas uma grande vantagem que ele se deparou no Brasil, é que os operários são muito produtivos, todos trabalham muito, mesmo, às vezes em temperaturas superiores aos 40 graus Celsius. Foi uma surpresa muito positiva para a gente e, por isso, estamos cumprindo todos prazos de construção. Nós planejávamos contratar 800 pessoas, mas contratamos 550 pessoas, porque os trabalhadores do Piauí são muito produtivos. Na África do Sul, contratamos mil pessoas. Os trabalhadores do Piauí são muito comprometidos e eficientes no desempenho das suas tarefas”, afirmou Jorge Nicolas.

Painéis mudam acordo com a movimentação do sol

De São João do Piauí, o técnico em energia elétrica, Fábio Júnior de Sousa, trabalha há 4 meses na instalação do sistema de captação da energia gerada pelas placas solares que irão para a subestação de energia elétrica. Antes de trabalhar na Elecnor do Brasil, Fábio Júnior atuava em implantação de rede de transmissão de energia em Porto Velho (RO) e São Paulo, demonstrou sua satisfação, afirmando que dá muito prazer trabalhar onde mora sua família.

“Quando você está próximo de sua família é uma coisa que não tem preço”, afirmou Fábio Júnior. Trabalhando há 4 meses como auxiliar de técnico de energia elétrica no Complexo Solar Fotovoltaico de São João do Piauí, do município Campestre do Maranhão, Douglas Lima de Oliveira já tinha experiência em trabalhar em usina de energia solar no Ceará.

“Eu fiquei desempregado no Ceará e consegui emprego na Elecnor do Brasil aqui no Piauí, porque no Maranhão está difícil conseguir emprego. Eu sou marmorista e trabalhava em São Paulo, mas acabou a marmoraria em 2017 e percebi que ia conseguir emprego se voltasse para o Nordeste”, falou Douglas Lima de Oliveira.

O Complexo Solar Fotovoltaico da Celeo Redes Brasil, em São João do Piauí, possui mais de 6.3000 seguidores solares (trackers), os quais mudam as posições dos painéis solares de acordo com a movimentação do sol, do nascente ao poente. Márcio Carneiro, engenheiro residente Elecnor do Brasil, disse que foi construída uma subestação coletora de energia com capacidade de 360 MVAs (Megavoltampères) porque há previsão de ampliação do parque de energia solar fotovoltaico. “Os trabalhos estão bastante adiantados, de acordo com o nosso cronograma, são 60 trabalhadores comprometidos”, contou Márcio Carneiro.

Em um canteiro de obras com muitos homens, a engenheira Brunielle Faria é um dos destaques, chefe de construção do Parque Solar São João do Piauí, funcionária da Elecnor do Brasil e proveniente do Rio de Janeiro, afirmou que é uma grande experiência trabalhar no Piauí e faz parte de uma geração de mulheres que no Brasil estão em cargos gerenciais no setor de engenharia. “Há ainda preconceito, mas com os anos passando, vai ser mais recorrente as mulheres em cargos gerenciais na área de engenharia”, falou Brunielle Faria

Irmãos operários abrem empresa de assessoria fundiária

Jailson Benevides, de 37 anos, o mais novo de uma família de 5 irmãos, e seu irmão Reginaldo Benevides, de 44 anos, o mais velho dos irmãos, são naturais de São João do Piauí, mas o destino fez com que trabalhassem em grandes projetos de construção em empresas e estados diferentes. O destino, porém, fez com que não apenas voltassem para São João do Piauí, onde moram suas famílias, como ficassem mais unidos como sócios em uma empresa de assessoria fundiária que apoia a Celeo Redes, como para outras empresas de produção de energia solar e energia eólica no Sul do Piauí.

“Nós trabalhamos com a regularização das terras. Nós damos consultoria fundiária, providenciamos os registros dos imóveis nos cartórios”, falou Reginaldo Benevides. “A gente regulariza as áreas e no momento em que as empresas chegam para investir na região vão nos procurar para que a gente possa viabilizar essas áreas para os empreendimentos”, falou Jailson Benevides, adiantando que o trabalho é difícil porque muitas vezes uma mesma área tem um nome e fica em um município, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas tem outro e fica em município diferente nos registros de imóveis nos cartórios, o que gera muita confusão.

Jailson Benevides informou que normalmente as empresas enfrentaram problemas na implantação de seus parques (solares ou eólicos) devido às divergências na documentação fundiária nos cartórios e localização oficial que consta nas bases do IBGE.

“Foi difícil emitir o CNPJ, porque não tinha a definição do domicílio da área”, falou Jailson Benevides, que trabalhou na área de material em usinas hidrelétricas, em Santa Catarina e Rondônia. Reginaldo Benevides atuava na área de segurança em empresas com projetos hidrelétricos: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rondônia. “De operários, nós passamos para empreendedores, donos de nosso próprio negócio. Quando a gente viaja para outros estados, queremos voltar para a nossa terra, e agora tivemos essa oportunidade”, falou Jailson Benevides.

Por: Efrém Ribeiro | Meio Norte

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