Covid-19: Anvisa pode agilizar aprovação da vacina coronavac

O diretor do Instituto Butantã, Dimas Covas, afirmou nesta sexta-feira que a Anvisa se propôs a “acompanhar mais de perto” a aprovação da vacina coronavac, que vem sendo desenvolvida pelo instituto em parceria com a chinesa Sinovac, e que está na fase de testes em humanos no Brasil. De acordo com ele, houve “concordância imediata” pelo presidente da agência reguladora, Antônio Barra Torres, para que quando fossem apresentados os resultados da fase 3, não houvesse nenhum tipo de demora na emissão do registro da vacina.

Coronavac, vacina chinesa, pode estar no SUS já em dezembro

“Levamos resultados adicionais de estudos de segurança produzidos na China, que mostrou um perfil de segurança muito próximo da nossa vacina da influenza”, afirmou Covas. Ele afirma que, até o momento, os estudos chineses sobre a coronavac já foram feitos com 24 mil voluntários e que houve registro de apenas 5% de efeitos colaterais, 3% de efeitos mais graves (dor no local da aplicação) e apenas 0,18% de manifestações febris.

O governador João Doria (PSDB) também falou a reunião entre representantes do governo estadual com o Ministério da Saúde, em busca de recursos federais para a ampliação de produção da coronavac. O Estado pediu R$ 1,9 bilhão ao governo federal para ampliar a previsão de entrega da coronavac no próximo ano, de 60 milhões para 120 milhões de doses. “O apoio financeiro do Ministério é fundamental para a ampliação do estudo clínico e a capacitação para multiplicar fortemente nossa capacidade de produção.”

De acordo com Covas, foram solicitados investimentos nos valores de R$ 85 milhões para os estudos avançarem mais rapidamente, R$ 60 milhões para reestruturação da fábrica do Butantã e uma quantia extra para o fornecimento das doses, ainda sem valor definido. “Adiantamos que necessitaríamos de aproximadamente R$ 2 bilhões para produzirmos os 100 milhões de doses até maio do ano que vem.”

O cronograma previsto por Covas é de que o Butantã entregue 45 milhões de doses da coronavac ao SUS em dezembro deste ano, 60 milhões até março e 100 milhões em maio do ano que vem. “Asseguramos ao ministro que, portanto, ele poderá iniciar já a sua preparação para desencadear uma campanha nacional de vacinação.”

Ele afirmou que os dois primeiros pleitos, para a reestruturação de fábrica e avanço dos estudos, foram inicialmente acatados, e agora discute-se a formalização de como esses recursos podem chegar ao Estado “da forma mais rápida possível”.

O cronograma da parceria com a China, de acordo com Covas, prevê a entrega de 15 milhões de doses a São Paulo até o final do ano, em lotes de cinco milhões distribuídos em outubro, novembro e dezembro. Ainda em outubro, outros 30 milhões serão entregues de doses para serem transformadas em vacina no Butantã, a partir da matéria-prima.

Ainda não há um protocolo definido para a ordem de vacinação, caso a coronavac seja aprovada. O secretário de Saúde do Estado, Jean Gorinchteyn, afirmou entretanto que ela deve seguir a mesma ordem às campanhas da gripe, com atenção especial para grupos prioritários como idosos pacientes com problemas no coração, pulmão, diabéticos ou com câncer, e outras condições especiais, como pacientes institucionalizados ou grupos privados de liberdade, principalmente em unidades prisionais.

Encomenda da Organização Mundial da Saúde

Também foi anunciada durante a coletiva de imprensa uma encomenda da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 550 mil doses de vacina contra a gripe, produzidas pelo Instituto Butantã. Esta é a primeira vez que o órgão brasileiro exporta imunizantes pela OMS, que irá redirecioná-los para países asiáticos. “Isso consolida o butantã comouma das instituições mais importantes e respeitadas na produção de vacinas em todo o mundo”, afirmou Doria.

Ao todo, serão 300 mil doses destinadas para a Mongólia e 250 mil para as Filipinas.

Por Estadão Conteúdo